sábado, 12 de agosto de 2017

Duas Vidas




Estou de partida, para uma breve chegada, à minha outra vida!
Longos dias, imensas horas. Retiveram-me bem longe da outra vida.
Uma vida de trabalho.
De stress dissimulado.
 De angústia acumulada.
 De proventos necessários, para um futuro que o destino comanda.
Duas vidas numa só!
Duas vivências tão diferentes, como exigentes.
Como necessárias. Como a sociedade as moldou!
Por momentos as afasto, num regresso breve e ansiado!
Deixo uma, no aparato da rotina incessante e volto para a outra. Transformando a saudade e a adrenalina, nos suspiros da minha continuada vitamina.
Duas vidas, num percurso já longo!
Uma, transforma o corpo carregado de tatuagens pigmentadas a dor.
Outra, alivia-lhe as mazelas e faz bater o coração num ritmo de saúde e amor

domingo, 6 de agosto de 2017

A noite muda o Tempo




A noite foi inundada de trovões que iluminavam o céu, tão negro como o carvão submerso.
É a última semana que cá passo. Já que na próxima, estarei a matar as saudades do que me espera.
É uma manhã bem calma, para descansar e olhar os próximos dias, como os últimos. E a ansiedade, é como a dum menino, a esperar que a escola termine e pousar os livros que tanto peso me fez carregar.
Estou na varanda, onde deixo que o meu pensamento trepe as ingremes montanhas. Levando-me ao cume das mesmas e me retenha lá por horas, para contemplar a vista maravilhosa, que este local oferece, como uma dádiva da Natureza.
Mas a manhã obrigou a agasalhar o corpo, porque a temperatura desceu como o tempo por aqui.
Por vezes o sol aquece em demasia e o calor torna-se insuportável. E de seguida, aparece as nuvens negras vindas como papões para assustar os mais desprevenidos. E não tarda, é tempestade pela certa.
 O vento aparece do nada e, num ápice as arvores são derrubadas.
Os telhados arrancados e lançados, vários metros pelos campos.
Os vasos com flores belíssimas e coloridas, que enfeitam as varandas. São quebrados e em dezenas de fragmentos, espalham-se pelos passeios asseados e pelos jardins tão cuidados.
E acordamos com um rasto de tristeza e de um silêncio confuso, onde até as aves deixam de lançar, os seus cânticos artísticos.
O Verão por cá é muito oscilante. Tanto nos brinda com temperaturas altíssimas. Como num abrir e fechar de olhos, descem uns quinze graus a ameaçar gripes.
Já imagino o Inverno que me aguarda.
Mas o mais apetecível e desejoso é, o passar do resto dos dias. Para finalmente regressar ao meu país, plantado à beira-mar. E saborear as praias e a gastronomia, que só mastigam por cá saudades e recordações diárias.
A chuva cai como deus a dá!
Ouvem-se os trovões ao longe, rumando daqui a nada, bem por cima dos telhados, a rosnar como monstros enjaulados.
Vai ser uma tarde de portas fechadas, a falar para os botões e a esperar que a noite desça, para iniciar a ultima semana.
É só esperar que o Sábado (Sammstag) chegue e lá vou bem por cima das montanhas.













terça-feira, 1 de agosto de 2017

Adoro o meu povo


Férias!
Os portugueses babam-se todos, por estenderem a toalha tão longe de casa, pensando que a areia da praia bem longe, lhes vai idolatrar o corpo.
Uns dias bem longe da cidade que durante, o ano fartam-se de calcorrear. Oferecem-lhe as energias para continuar a matraquear os caminhos da rotina.
É dar um olhar e, estão os portugueses a encher o Algarve como o paraíso para a felicidade por uns dias.
Vai-se o subsídio.
 Vai-se os tostões, guardados nos bancos que nada oferecem e a tudo cobram. E no final nem querem fazer as contas, porque o bronze algarvio, merece o esforço financeiro despendido.
Adoro o meu povo!
Faz das tripas coração, para viver uns dias como rei e senhor da terra. E de malas e bagagens, entopem as portagens rumo ao sul. Como se o sol, só nascesse por essas bandas.
Foram-se os tempos de o Algarve ser uma colónia balnear dos europeus endinheirados.
Trocar a sua moeda em escudos, era a certeza de ter férias mais baratas, que uns dias por terras de sua Majestade.
Por isso, permaneciam no Algarve até que o corpo se manchasse de escuro e da boa vida, se cansasse.
Veio o Euro!
E a maioria fizeram contas à vida e por igual quantia, rumaram para outras paragens. Deixando o Algarve à mercê dos portugueses, vindo do norte e centro. Agora recebidos como os salvadores da economia algarvia.
Entretanto chegam os imigrantes a arrotar euros (por vezes emprestados) e petulância parolice.
Estacionam as grandes bombas, entupindo os passeios e de tangas chineses e tatuagens de lojas de garagem. Bebem minis, até arrotarem o pó armazenado durante meses a fio, a assentar muros das casas dos ricos europeus. Que pagam balelas, para erguerem os centros comerciais do futuro.
Por fim regressam com a lágrima no olho e na esperança dos familiares que cá permanecem. Passado um mês, mandar o máximo do dinheiro ganho, para fazer face, à dura vida, que este país resolveu já à longos anos brindar a maioria dos portugueses.

domingo, 23 de julho de 2017

A Cumplicidade faz nascer a nossa História



Os amigos nascem com os nossos desejos!
Por isso, o desejo de nos mantermos unidos. Será com o passar dos dias, infinito!
E ao mantermo-nos unidos, surge a cumplicidade das nossas privacidades e partilhamos coisas muito pessoais. Embora, o meu conceito de cumplicidade, seja diferente do dela no momento!
Cada um, adopta a sua cumplicidade, ao seu modo de vida.
Sendo uma amiga, de partilhar cumplicidade ainda hoje difícil de traduzir em gostar, ou amar.
Como a dois, podemos definir o que é a cumplicidade afinal?
- É amor!
Comecei por dizer, já com longos dias a batalhar para chegar a essa conclusão!
- É amor, ou é paixão?
 Diz-me ela do alto da sua maturidade!
Perante o meu silêncio de segundos, mas que pelo momento se transforma em vários minutos. Atinge-me num suspiro.
- Em que ficamos?
Respondo já excitado pela adrenalina postada.
- Penso que estão associadas. No sentido do que o teu coração palpitar.
Ainda não tinha recuperado, de recuperar, os níveis respiratórios para o normal, já ela me confrontava.
- Diz-me: Se a cumplicidade está associada ao amor e á paixão. E nunca mostrei a intimidade desta forma a ninguém. O que sinto afinal por ti?
- Porra, para a mulher!
Tão difícil mas tão desejada.
- A cumplicidade faz nascer a nossa história!
Rematei no último suspiro, já seco de adjectivos.
-Então que se inicie a história!
Terminou ela num momento, que ficará na nossa memória.

sábado, 22 de julho de 2017

A beleza do ciúme está na Atitude





A dada altura perguntaram-me, sabendo da longa ausência: se estava com ciúmes de estar fora, sem presenciar o que se passa dentro de um país a abarrotar de possíveis fragilidades emocionais.
Respondi, com o pensamento que transporto, na já curta distância que me separa do regresso a casa.
- A beleza do ciúme está na atitude!
 Porque aparece na ansiedade do desejo.
No primeiro olhar que se deslumbra ao aterrar de quem nos espera. E, com que vontade nos deseja.
Se assim não for, a adrenalina do momento depois de tanto tempo, perder-se-á, para o resto dos dias que por aí pernoitar.
 Eu vivo o momento que anseio!
Se isso não suceder, não quererei estar contigo!
Porque no dia seguinte, ou no dia a seguir ao seguinte. Perderá a beleza do momento que descrevi.
Serão praticamente cinco meses fartos de emoções iniciadas bem longe, que nos deixou bem pertinho das nossas palpitações.
E em alguns deles, partilhamos uma intimidade, que nem mil palavras descrevem a imagem projectada.
Cinco meses onde se armazenou uma ansiedade de descobrir, até que ponto
mexeu connosco. A expectativa de te ver, logo ao pisar solo português.
Não há mais desculpas!
Se como dizes, “ apenas quero seguir o meu rumo sem compromissos”.
Os dias seguintes serão, rumando cada um para, o seu destino!
Acredito que não!
Sou um convencido, pela natureza da minha pureza.





domingo, 16 de julho de 2017

A varanda deixou ser um Prazer





Pela minha varanda assistia a um momento maravilhoso!
Um pato do vizinho ao lado, é só a estrada que nos separa. Encontrou uma pata brava, que se deu de amores por ele.
E diariamente, encontravam-se no terreno do dono dele (ou já lá estavam juntos), para depois virem para o terreno onde fica a minha varanda. E nessa extensão enorme de erva fresca, procurarem o alimento desejado.
Quando o final do dia chegava e coincidia com o meu regresso do trabalho, era vê-los parados, no início da estrada. Até que tivessem a certeza, que podiam atravessar para o lado onde passavam a noite.
E lá atravessavam os dois bem juntinhos, que beleza!
Ele branco com umas ligeiras manchas negras. Ela toda acastanhada bem mais pequena.
E durante dias a fio, esperávamos pacientemente que eles se aproximassem da estrada, para assistir à maravilha de assistir eles atravessarem. Depois de pacientemente terem a certeza que nenhum obstáculo os impedia de a atravessar com segurança.
Um dia. Existe sempre um maldito dia!
 Andavam eles por entre as ervas altas do balado, que cerca a casa onde vivo na procura de caracóis tenros.
O pato talvez já saturado de encher o papo e quem sabe, cansado de a chamar. Resolveu atravessar a estrada, para regressarem.
A pata, ficou ainda embreada nas ervas altas do balado (filmava tentando que ela saísse e fosse até ao pé da estrada a uns metros de onde estava).
Nisto parei de filmar e…………….
Catastrófico!
A patita atravessou. E apercebendo-se que alguns ciclistas aproximavam-se pela ciclovia que atravessa a entrada do seu recanto, parou a meio da estrada, para que eles passassem e desgraçadamente um condutor mais preocupado com os ciclistas na cavaqueira, enquanto pedalam para aliviar as preocupações diárias. Passou-lhe por cima literalmente!!!
Que dor para nós que assistíamos da varanda!
Que momento terrível. Ver a pata destroçada mesmo no meio da estrada!
Durante dois dias, o pato não parava de a chamar. Era doloroso ouvir os seus apelos para a ver ao seu lado.
A varanda deixou de nos oferecer a maravilha de dois animais atravessarem a estrada, numa beleza que nos alegrava depois de um dia estafante.
A varanda deixou ser um prazer. Passou a ser uma recordação dolorosa!