domingo, 3 de dezembro de 2017

Encontrei-me com Deus




Domingo tão frio e silencioso
Aventuro-me a dar um passo, caminhando pela neve já dura
O frio é terrível e em dois passos, já sinto o corpo todo arrepiado
Dirijo-me à capela num ritual solitário.
Abro a porta com o fecho de ferro mas não a fogo, dado que ao tocar-lhe a minha mão fica enregelada.
Entro naquele espaço, decorado com um altar lindíssimo, onde predomina Cristo.
Tem quatro bancos antes do gradeamento que divide a zona do altar.
Outros tantos, depois de se abrir a porta tipo rede em ferro, onde podemos estar tão perto do altar, que sentimos a fé, tocar-nos a alma.
Sinto-me bem!
 Por isso, pouco desejo para mim!
 Peço em três orações simples e diretas. Que o mundo se torne mais humano e que os meus meninos, sigam o caminho que Deus lhes indica a cada minuto.
Acendo uma vela para me iluminar o caminho e coloco a moeda na ranhura da caixinha em ferro.
Por fim abandono a capela e simplesmente sinto, que já não está tanto frio.
Fui aquecido pela graça divina.
Volto para o meu lar, ainda a manhã desperta a natureza enregelada na terra dura e nas montanhas pintadas de branco.
Encontrei-me com Deus, agradecendo-lhe com a luz da vida!

sábado, 25 de novembro de 2017

Longa noite




A noite foi tão longa, que o meu corpo se assustava com a iminência do toque malvado.
Despertou ainda ela esfregava os olhos e satisfeito, voltou-se para o lado quente, deixando-se adormecer de novo.
Como o hábito faz o caminho diário do trabalho, lá estava ele prontinho para saltar da cama, ainda antes de ouvir o som ruim.
Mas hoje não se ouviu nenhum som!
Só o vento abanava as entranhas de madeira e fazia balançar as já gastas portas maciças, que protegem os vidros naqueles dias, que nenhuma alma se atreve a por um pé lá fora.
E de novo se voltou para o lado. Desta vez, o lado que mostra todo o quarto. Apinhado de roupa escura que por momentos, formam imagens que tentam- me agarrar na penumbra.
Por fim o dia nasceu e a claridade rompeu!
Que maravilha sentir que a cama era minha. Sem horários para me arrastar pelo soalho, à procura da roupa espalhada.
Que delicia, sentir o corpo esticado tão leve como uma pluma, sem ferramentas duras que o martirizam. Nas trincheiras das máquinas longas e frias.
Que beleza, deixa-lo sonhar com a delicadeza do toque. Das princesas que fazem parte da minha história.
Por fim, já farto de tanta moleza, deitou os pés de fora e procurou o banho quente.
O fim-de-semana bateu à porta.
Era chegada a hora de procurar momentos, que o fizesse soltar-se como um adolescente. Na procura de fragmentos para atenuar, as saudades que não demoram a encontrar-se.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Já nem a sexta é Fim-de-Semana




Somos meia dúzia, onde nem vemos o dia!
Uns desistem, outros revoltam-se com o destino
Continuamos meia dúzia, porque uns vão, outros equipam-se
Uns, gritam como crianças, sem poder dar um passo para alcançar o banho
Outros, guilhotinam-se nos dentes da serra, deixando o sangue estatelado
Continuamos meia dúzia, mas por dias, somos só quatro a entrar onde deixamos um pouco de nós!
Quatro, que tudo fazem para que quatro, lutem por seis
E das dez horas programadas, carregamos no corpo. Onze, doze….
Recupera-se a meia dúzia, por entre gargalhadas em rostos amarelados
Cada dia que finda é um rosário de queixumes.
Só dá tempo para devorar o frango frito e emborcar uns copos de tinto
A cama é abençoada e não tarda, dormimos como meninos
Mas umas horas depois, entram todos na carrinha com os olhos ainda inchados
Já nem a sexta é fim-de-semana! O sábado é tão duro, como todos os dias da semana.
Por fim abraçamos a noite de sábado!
Deixamos de ser meia dúzia
Uns, aprisionam-se nos quartos. Matando saudades e aliviando as feridas
Outros, procuram desanuviar a tortura. Procurando as luzes da noite, para alongar o dia.
E não tarda, é Segunda-feira!
A roupa cheira a lavado, mas as nódoas negras, são como remendos recordados
E o dia não finda e a semana, ainda se inicia!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Tão longe e tão Sentido





Dia de lágrima exposta e recolhimento
Olhamos os retratos e vivemos recordações, que nos afloram a mente
Desejava ter-te junto a mim, para segredar-te os meus recentes momentos
Deus levou-te para o céu e de lá, és o anjo, que proteges o meu tempo!

domingo, 29 de outubro de 2017

Tenho que aprender Mais do pouco que Sei





A noite rapidamente me alerta para a madrugada
As horas avançavam, com o calor da boa disposição estampada.
Traduziam-se as palavras por entre risadas audíveis, dado que construir frases numa língua dificílima, origina risos sonoros e fico sempre pensando, na minha indesculpável preguiça, para aprender mais do pouco que sei!
Faço beicinho da minha ignorância. Mas acabamos sempre, por estampar a alegria, superando o embaraço.
O dia nasce e eu acordado.
As horas voam no espaço que me envolvo.
O cansaço, assume a liderança e por vezes o excesso, toma conta das minhas ações. E entrego-me a momentos, que horas depois são fragmentos.
Fragmentos, que podem levar a que uma amizade se cimente e que emoções se podem tornar realidade.
Por isso o tempo que possuo, comanda a emotividade do futuro.
Deixo-me cair na cama, saciado de alegria e renovado vocabulário.
O ruído dos vizinhos, despertam-me a claridade do dia.
Num quarto a deixar entrar a luz e nem enrolar-me nos agasalhos, esconde a escuridão que necessito, para descansar os olhos de tanto perscrutar a emotividade.
Uma hora extra, só deu para olhar a janela e desfrutar da amabilidade de uma paisagem, que apaixona quem a desfruta.