terça-feira, 20 de junho de 2017

Pai, Preciso




Diz-me o petiz:
- Pai, preciso de cem euros, para o Basquetebol e para o ginásio!
Outra vez, a ainda o mês está a meio!
Digo eu, com a pestana cerrada, por um fedelho me estar a dar a laçada!
Pai, estou a enfrentar os exames e, como me disseste por cada 19, oferecias-me 50€ e pelos 18, vinte oiros.
E como vou ter um 17, que dá negativa ao teu score. Poupe-te vinte euros e é só lançares, os 100 euros na minha conta para…..
- Velhote, vou de férias com a minha namorada, que me ama mais do que eu a tenho no espírito!
- Mas as férias são ao pé da porta, como manda os progenitores de olhos abertos, mesmo que a noite, já leve horas de capoeira em silêncio!
Confessa ele com pausas pelo meio.
-Filhote, digo eu!
- Por cem euros, vou-te a felicidade, que um dia de trabalho me arraste como uma alma penada!
- Pai, ainda sou novo!
E não conheço esses termos, num dia podes ganhar isso? Então, não custa nada subires a parada!
Vai lamber sabão. Pensas que isto é, só cheguei e logo voltei. E os euros lá estarão!
Respondi para não deixar margem de resposta.
-Paizão! Nem quero os teus euros!
Quero que voltes e sintas a felicidade no meu rosto, quando te felicite depois de tanto tempo longe do meu posto!




segunda-feira, 19 de junho de 2017

Num só Dia




Lembrei--me agora:
Se em vez de maratonas desgastantes, ou ciclovias dominicais, onde uns mostram os adereços vistosos e as bicicletas topo de gama.
Se juntassem e num dia, um só dia! Vestissem fato-macaco e devastassem o mato, que tanto apregoam, ser o causador do alimentar de tantos dolorosos incêndios.
Lembrei-me agora:
Em vez de caminhadas semanais, para desanuviar o stress em fatos e tangas ousadas. Usassem luvas e calças, para num só dia, limpar o que todos encontram, enquanto caminham mata fora.
Lembrei-me agora:
Em vez de caminhadas até Compostela, onde fervilham os pés e a dureza do corpo. Caminhassem de rosto sentido como todos agora exprimem. E limpassem o mato que vislumbram naqueles quilómetros que não tem saída, até que a Catedral se anuncie e, se ajoelham aos pés do santo?
Acredito que mesmo o Santo a todos agradecia!
Lembrei-me agora:
A todos aqueles que percorrem quilómetros atrás do futebol, que por vezes nos trás vergonha e repulsa, com violência à mistura.
Se juntassem e num só dia, limpavam as matas que circundam as suas Freguesias.
Lembrei-me agora:
A todos aqueles que nos governam e, hoje se abraçam em choros a raiar a culpabilidade de uma enorme tragédia.
Em vez de prometer medidas energéticas para minorar o flagelo das florestas, (e já falam desde do tempo que pairou outra tragédia), tomassem medidas concretas. Ofereciam ao povo, que se deitasse sem o fogo à perna.
Lembrei-me agora:
De tantos donativos oferecidos!
Bastava umas horas de suor e um enorme grupo de amigos e todos nós Portugueses, combatíamos a Natureza ingrata e os terroristas pedestres nocturnos, que nos desgraçam.
Trabalhei doze horas, depois de pouco dormir, com a dor de tantas famílias que tudo perderam até o amor de um pai, marido, esposa e filho.
Hoje ainda não conseguirei dormir, com a raiva de estar num país onde terminei o trabalho pelas 19 horas com 30º e o verde era o expectador na largura da estrada!
Num só dia todos, mas todos, tudo faríamos!

domingo, 18 de junho de 2017

Foda-se




Choramos as alegrias, ainda não vai muito tempo e neste momento choramos a dor intensa de vidas perdidas, pelo monstro do fogo, que ano a ano, nos sufoca o País e as vidas!
Foda-se!
No meio de uma tragédia destas, ainda existe pessoas, que consegue postar caminhadas e churrascadas!
Postar, bandas a instigar à palhaçada e adultos a sorrir à boa vida, que a sorte lhes ofereceu!
Foda-se!
Um dia de silêncio. É o mínimo que podemos oferecer às vítimas, de uma tragédia, que nos livrou por tempos e, que um dia podemos ser envolvidos em momentos!
Que raiva!
Agora que termino o almoço e olho as montanhas deste País, que me acolhe num berço verde e maravilhoso. Em saber, que posso andar mata dentro. Desviando os ramos tenros, para caminhar bem dentro do coração desta vegetação, que remove os meus pulmões, do pó diário e das loucuras dos excessos.
Que raiva!
Porque por aqui também faz imenso calor, mas Deus no dia seguinte, abençoa com uma chuva, que até apetece deixar que refresque este corpo, farto de calos e nódoas negras.
Que raiva!
Sentir que todos os anos, Portugal vira cinzas. E quando regresso, encosto o rosto ao vidro, deixando brotar uma lágrima, pela catástrofe que o nosso verde se transforma!
Que mágoa!
Sentir pelas rádios. Áustria e Alemanha.
A tragédia tão longe e bem perto do meu País, já tão deserto. E agradecer pelo apoio desses Países, que nos acolhem como um deles e continuar a sentir o verde da Natureza deles!


No silêncio da Noite




No silêncio da noite, encontro o lugar dos meus momentos!
O zumbir dos insectos, abstrai-me por segundos e alguns deles ferem-me o corpo, mas não me afastam dos meus momentos.
No silêncio da noite, encontro o meu espaço. Ainda aturdido pela semana que me devassa o corpo, mas que me oferece o tão merecido repouso.
No silêncio da noite, ofereço à noite, um sorriso maroto que se esboça depois de avivar a mente, com os meus momentos.
No silêncio da noite, onde alguns fugiram para a noite. Outros adormeceram, agasalhados pelas conversas intimas, surgidas de longe, consolando-os por momentos.
No silêncio da noite, ainda espero que a noite, não se extinga no colorido do dia, sem antes me presentear com o momento mais querido.
No silêncio da noite, agora que ela se torna ainda mais densa e maravilhosamente silenciosa. As horas carregam-me já de cansaço e o meu leito ainda desfeito pelo repentino saltar tardio para o meu dia, aproxima-se para o meu retiro.
No silêncio da noite, tudo se torna densamente escuro.
Cerro os olhos como um menino e adormeço embalado pelo meu destino!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Cresci de Batina



Descobri uma idiota que fugia de ser feliz!
Mesmo por momentos, fazia, fica pé. De se refugiar no seu mundo, para se resguardar da felicidade, que lhe era oferecida pela água benta, de um homem agarrado à fé da Eucaristia.
De segunda a quinta, fazia jus ao seu atrevimento de bambu farto de frinchas para dar alvor ao seu requinte.
De sexta a Domingo, refugiava-se nas festas rotineiras. Onde no meio de conversas a deixar sorrisos acostumados, pelas frases traquinas dos amigos babados pelo feminismo entravado. Lembrava-se dos tempos idos, onde era rainha e senhora, dum fidalgo agarrado às rédeas dos progenitores.
Hoje nem sabe o que deseja, numa altura que os dias se aproximam!
Uma dúzia de dias que podem valer uma vida de momentos, de sonhos e de maravilhosa adrenalina!
Depois, só Deus saberia se amaria o homem, que cresceu de batina a ler a primeira leitura, enquanto era escuteiro, fundado pelo pai e tio. Ou se o vento levaria a ocasião, para os momentos, que ficarão gravados na memória.